Plano Estratégico da Opas busca reduzir desigualdades no acesso a tratamentos médicos

Marcelo Nery explica como as políticas de segurança e a violência afetam a saúde pública

Retirado de: Jornal da USP

Escrito por: Jornal da USP

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) propôs a elaboração do novo Plano Estratégico do órgão, que entrará em vigor no período de 2026 a 2031. O objetivo é definir as práticas e gestão em saúde para os próximos anos e levará em conta as observações de documentos passados. Também pretende-se incorporar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à área, bem como questões regionais definidas na Agenda de Saúde Sustentável para as Américas 2018-2030. 

O Plano Estratégico busca reduzir as desigualdades no acesso a tratamentos médicos e melhorar a saúde e bem-estar no território. Marcelo Nery, coordenador do Centro Colaborador da Opas/OMS (BRA-61) e pesquisador de transferência tecnológica do Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da USP, participou da Quarta Reunião sobre o Plano Estratégico da organização e explica como as políticas de segurança e a violência afetam a saúde pública. 

Homem preto, ainda jovem, barba e bigode, calvície pronunciada. Veste terno escuro sobre camisa branca e gravata preta e empunha um microfone
Marcelo Batista Nery – Foto: IEA-USP

Diálogo

Para Nery, o momento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Opas é entender o que é preferencial para o relatório e o período: “A intenção é decidir quais são as prioridades, quais são os elementos que entram nesse texto, quais são os indicadores da OMS para mensurar os problemas dentro das temáticas que esse grupo vai dialogar”. Ele relata que traçar as circunstâncias e as propostas para viabilizar o atendimento aos tópicos discutidos faz parte das reuniões iniciadas no final do ano passado.

Segundo Nery, o impacto da pandemia de covid-19 segue forte na OMS. “É claro que a gente não está parado no tempo. Se a pandemia, até hoje, gera consequências, hoje a gente tem questões como crise climática que aumenta também a problemática da questão da saúde e da segurança.” O NEV participa do diálogo para trazer dados e informações acerca da proteção dos indivíduos, da violação dos direitos humanos e questões de segurança, como a violência de gênero. “A gente tenta alinhar as nossas temáticas àquilo que a OMS coloca como importante. Um dos pontos é o fortalecimento dos sistemas de serviços de saúde. Então o NEV vem para demonstrar como o fortalecimento dos sistemas de saúde ganha com o fortalecimento da segurança, com a integração desses dois sistemas”, explica. Ele afirma que a negligência das populações em situação de vulnerabilidade demonstra a relação citada. 

Equidade

A produção de informações de qualidade e acessíveis é um dos pilares do novo Plano Estratégico pelo contexto de desinformação. “A gente está discutindo sobre os dados, a gente tem que pensar sobre a metodologia, a técnica que vai ser utilizada para avaliá-los e analisá-los, porque vão gerar um resultado. Mas é confiável? O quanto ele pode ser distorcido para um discurso político?” pondera. O uso da inteligência artificial, a integração social, o poder dos algoritmos e a transição para o mundo digital também são levados em conta. O pesquisador expõe que, a partir do momento em que o documento estiver consolidado, haverá uma apresentação para o grupo e, logo após, para instâncias internas da Organização Mundial da Saúde antes de ser divulgado para a população. 

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