Oito em cada dez mulheres muçulmanas já foram alvo de islamofobia no Brasil

Terceira edição do Relatório de Islamofobia no Brasil alerta para um cenário de violações sistemáticas de direitos fundamentais decorrentes da intolerância religiosa

Escrito por: Silvana Salles

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.

Um levantamento da USP revelou que cerca de oito em cada dez mulheres muçulmanas no Brasil já sofreram algum episódio de islamofobia. Os casos vão desde ofensas e discriminação no trabalho até agressões físicas e ataques nas redes sociais.

Os dados fazem parte do 3º Relatório de Islamofobia no Brasil, elaborado pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da USP. A pesquisa ouviu 328 mulheres muçulmanas de diferentes regiões do País para entender como a discriminação afeta o dia a dia dessas pessoas.

Segundo o estudo, a maioria das mulheres muçulmanas é brasileira, possui alto nível de escolaridade, trabalha em diferentes áreas e participa ativamente da vida profissional. Ainda assim, essas características não impedem que elas enfrentem situações de preconceito e violação de direitos.

Os episódios de islamofobia acontecem principalmente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, nas redes sociais, em escolas, universidades e até mesmo dentro da própria família. Muitas mulheres relataram que não denunciam essas situações e poucas procuram apoio psicológico após sofrerem discriminação.

Para a professora Francirosy Campos Barbosa, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e coordenadora da pesquisa, este é o estudo mais completo já realizado sobre a realidade das mulheres muçulmanas no Brasil. Segundo ela, o levantamento mostra como fatores como gênero, religião, nacionalidade e raça se cruzam e aumentam a vulnerabilidade dessas mulheres.

Entre os relatos reunidos pela pesquisa, muitas participantes afirmaram que o uso do hijab, o véu utilizado por parte das mulheres muçulmanas, está frequentemente associado a situações de preconceito. Algumas disseram ter perdido oportunidades de trabalho por causa da vestimenta, enquanto outras relataram constrangimentos, ofensas e até agressões.

Nas redes sociais, o Instagram aparece como uma das plataformas com maior número de relatos de ataques. Já em locais públicos, algumas mulheres contaram ter sofrido agressões físicas, além de insultos e ameaças.

O relatório também aponta que muitas participantes relacionam o preconceito contra pessoas muçulmanas à forma como o Islã é retratado na mídia. As pesquisadoras defendem que a islamofobia seja reconhecida como um problema estrutural, que compromete direitos fundamentais e exige ações de prevenção, proteção e combate à discriminação.

Segundo a equipe responsável pelo estudo, produzir dados sobre esse tema é um passo importante para dar visibilidade ao problema, fortalecer políticas públicas e ampliar a proteção aos direitos da comunidade muçulmana no Brasil.

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