Mulheres precisam ultrapassar barreiras não gerenciais para empreender na ciência e tecnologia

Pesquisa identifica três frentes de desafios e mostra como maternidade, racismo e estereótipos de gênero influenciam a trajetória de empreendedoras STEM

Escrito por: Milena Miyazaki, Estagiária sob supervisão de Silvana Salles

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento

Uma pesquisa da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP mostrou que mulheres que empreendem nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) enfrentam desafios que vão além da gestão dos negócios. Além de administrar suas empresas, elas precisam lidar com preconceitos, estereótipos de gênero, racismo e dificuldades relacionadas à maternidade para conquistar espaço e reconhecimento no mercado.

O estudo foi desenvolvido pela pesquisadora Luciene Rodrigues de Andrade, que também é empreendedora na área de tecnologia. A pesquisa nasceu da própria experiência da autora, que percebeu que ela e outras mulheres enfrentavam mais dificuldades para crescer e conquistar oportunidades nesse setor.

Para entender melhor essa realidade, Luciene entrevistou 12 empreendedoras de diferentes áreas. A partir dos relatos, identificou que muitas delas sentem a necessidade de provar constantemente sua capacidade profissional para serem levadas a sério.

Segundo a pesquisadora, esse esforço acontece em diferentes momentos. Além de demonstrar competência para clientes e investidores, muitas mulheres ainda precisam enfrentar cobranças relacionadas ao papel de mãe, esposa ou responsável pelos cuidados da família.

A pesquisa também identificou três grupos de desafios. O primeiro reúne obstáculos estruturais, como dificuldade de acesso a investimentos e desigualdades sociais. O segundo está relacionado ao preconceito e aos estereótipos presentes nas relações profissionais. Já o terceiro envolve a pressão emocional e os conflitos entre a vida pessoal e a carreira.

Durante as entrevistas, algumas empreendedoras contaram que mudaram a forma de se vestir ou de se comportar para transmitir mais credibilidade. Outras relataram que passaram a levar um sócio homem para apresentar projetos, pois perceberam que as propostas eram mais bem recebidas dessa forma, mesmo quando elas eram as responsáveis técnicas pelo trabalho.

A pesquisa também mostrou que mulheres negras enfrentam desafios ainda maiores. Além do racismo, muitas relataram sentir que precisam entregar resultados acima do esperado para conquistar a confiança de clientes e parceiros. Segundo os depoimentos, um único erro pode comprometer oportunidades futuras.

Como forma de ampliar a participação feminina nas áreas de ciência e tecnologia, a pesquisadora defende políticas públicas que incentivem o empreendedorismo feminino, ampliem o acesso a investimentos e despertem o interesse de meninas pelas carreiras científicas e tecnológicas desde a educação básica.

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