Ativismo feminista deu nome à violência sexual para poder denunciá-la

Autora de livro sobre o tema, professora da USP reflete sobre a atual onda de violência contra a mulher e a importância do movimento feminista para combatê-la

Escrito por: Silvana Salles

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.

Perto do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o Brasil parece estar vivendo um momento muito preocupante: a violência contra mulheres e meninas tem chamado cada vez mais atenção.

Quase todos os dias surgem notícias de casos graves em diferentes partes do país. Além disso, dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que os feminicídios aumentaram bastante. Só no estado de São Paulo, por exemplo, o número cresceu 96,4% entre 2021 e 2025.

Mas o que está acontecendo?

Segundo a professora Heloisa Buarque de Almeida, da USP, a violência realmente aumentou, mas também existe outro fator importante: hoje conseguimos nomear melhor esses crimes e falar mais sobre eles. Ou seja, o problema sempre existiu, mas agora está mais visível.

Heloisa estuda a violência de gênero há anos e escreveu um livro sobre como a sociedade passou a reconhecer e denunciar essas situações. Ela explica que medir essa violência não é simples. Enquanto os feminicídios aparecem mais nas estatísticas, outros tipos de violência, como a doméstica, muitas vezes ficam escondidos dentro de casa e nem sempre são denunciados.

Ela também aponta algo que pode parecer contraditório: quando as mulheres conquistam mais direitos, a violência pode aumentar no início. Isso acontece porque alguns homens se sentem ameaçados ou inseguros com essas mudanças. Um exemplo citado por ela é quando a mulher passa a ganhar mais do que o parceiro, o que pode gerar conflitos e até agressões.

Nos últimos 25 anos, o Brasil criou várias leis importantes para proteger as mulheres, como:

  • a lei contra o assédio sexual (2001),
  • a Lei Maria da Penha (2006),
  • mudanças na lei de estupro (2009),
  • a criação do feminicídio como crime (2015),
  • e a lei de importunação sexual (2018).

Mesmo assim, só criar leis não é suficiente. É preciso que elas funcionem na prática. Para isso, é essencial ter uma rede de apoio com atendimento psicológico, social e médico. A professora também critica o enfraquecimento de políticas públicas nos últimos anos, como o serviço telefônico 180, que ajuda mulheres em situação de violência.

Enquanto isso, casos brutais continuam acontecendo e ganhando destaque na mídia, envolvendo mulheres de diferentes idades e contextos. Essas histórias chocam, revoltam, mas também têm um papel importante: mostrar que essas violências existem e indicar caminhos de ajuda.

Outro ponto importante é que, nos últimos anos, a sociedade começou a entender melhor o que é violência contra a mulher. Coisas que antes eram vistas como “normais”, como cantadas na rua, hoje são reconhecidas como assédio.

Isso aconteceu muito por causa de movimentos feministas, principalmente a partir dos anos 2010. Campanhas como “Chega de Fiu-Fiu” e “Meu Primeiro Assédio” incentivaram mulheres a compartilhar suas experiências nas redes sociais. Esses relatos ajudaram a mostrar que o problema é comum e grave.

Esses movimentos também influenciaram a forma como a mídia e a sociedade enxergam essas situações. O que antes era tratado como algo pequeno ou sem importância passou a ser visto como violência.

Além disso, surgiram iniciativas dentro de universidades, como redes de apoio para acolher vítimas e denunciar abusos. Esses espaços ajudam mulheres a não se sentirem sozinhas e a buscarem justiça.

Apesar dos avanços, ainda há muito a melhorar. Muitas instituições ainda são machistas e dificultam o acesso à justiça. Por isso, além das leis, é fundamental fortalecer os serviços de apoio.

Para mulheres que precisam de ajuda, existem alguns caminhos:

  • Delegacias da Mulher
  • Serviços de apoio psicológico e social
  • Coletivos feministas
  • E, em São Paulo, a Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas

No fundo, o desafio é grande: combater a violência, mudar mentalidades e garantir que todas as mulheres possam viver com segurança e dignidade.

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