Menopausa afeta saúde bucal, mas efeito ainda é negligenciado

Para Silvia Vanessa Lourenço, a menopausa precisa ser incluída em um contexto interdisciplinar

Escrito por: Jean Silva

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.

O Instituto de Estudos Avançados da USP realizará, no dia 8 de março, o debate Saúde na Menopausa: Ciência e Sociedade, com o objetivo de ampliar a compreensão sobre essa fase da vida a partir de evidências científicas e incentivar o autocuidado e o empoderamento feminino.

A iniciativa reúne diferentes áreas do conhecimento para discutir um tema que, apesar de afetar milhões de mulheres, ainda é pouco explorado em profundidade. Segundo a professora Silvia Vanessa Lourenço, da Faculdade de Medicina da USP, a universidade tem um papel fundamental nesse debate:
“É nossa obrigação devolver para a sociedade conhecimento qualificado e nos aliarmos às pessoas que já vêm debatendo esse tema.”

Saúde bucal: um ponto frequentemente negligenciado

Um dos destaques do evento é a relação entre menopausa e saúde bucal, frequentemente ignorada. A professora explica que alterações hormonais impactam diretamente a produção de saliva, essencial para a proteção da cavidade oral.

“Na menopausa, existe uma alteração importante no fluxo e na qualidade salivar, o que interfere na saúde bucal”, afirma. Com isso, aumenta o risco de cáries e doenças periodontais.

Além disso, a saliva tem papel importante na saúde vascular, pois contribui para a produção de óxido nítrico. Sua redução pode, portanto, afetar também o sistema cardiovascular.

Outro fator relevante é a maior propensão à osteoporose, que pode comprometer a estrutura óssea da face e dificultar tratamentos odontológicos, como implantes.

Um campo em transformação

Apesar de sua importância, a menopausa ainda é um tema historicamente negligenciado. Segundo Silvia, isso está ligado a uma visão antiga de que mulheres nessa fase seriam menos produtivas.

Esse cenário vem mudando com o aumento da expectativa de vida e maior participação feminina na sociedade. Hoje, muitas mulheres chegam à menopausa ativas, informadas e mais conscientes da própria saúde.

Nesse contexto, organismos como a Organização Mundial da Saúde têm intensificado estudos sobre saúde ao longo da vida, incluindo os impactos específicos das variações hormonais nas mulheres.

O evento do IEA-USP se insere justamente nesse movimento, buscando integrar ciência e sociedade para promover uma visão mais completa e atualizada da menopausa.

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