Centro Observatório da USP vai realizar pesquisa sobre violência de gênero e feminicídio

O levantamento de dados será feito por um grupo formado por juízas de direito e promotoras de justiça, por pesquisadoras de universidades públicas e uma senadora

Escrito por: Eliete Viana

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.

O Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI) da USP criou um Grupo de Trabalho para estudar a violência de gênero e o feminicídio no Brasil. A proposta é reunir dados e realizar pesquisas que ajudem a entender melhor o problema e a fortalecer políticas públicas de prevenção e combate à violência contra as mulheres.

O grupo quer fazer um levantamento detalhado dos casos de feminicídio, analisando não apenas onde eles acontecem, mas também as condições sociais envolvidas. A pesquisa pretende investigar, por exemplo, se as vítimas já haviam denunciado agressões anteriormente, quais instituições procuraram em busca de ajuda e em quais momentos buscaram atendimento.

A iniciativa surge diante de números preocupantes. Segundo o relatório Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em março de 2026, o País registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, o equivalente a quase cinco mulheres assassinadas por dia. Para a vice-presidente do COI, Maria Arminda do Nascimento Arruda, o cenário mostra a gravidade de um problema que continua fazendo milhares de vítimas todos os anos.

Uma das coordenadoras acadêmicas do projeto, a juíza Helena Campos Refosco, explica que o objetivo é desenvolver uma pesquisa ampla e baseada em dados concretos para ajudar na criação de políticas públicas mais eficazes. Para isso, serão analisados bancos de dados públicos, boletins de ocorrência, processos anonimizados e informações do sistema de saúde. O estudo também vai utilizar o georreferenciamento para mapear os locais dos crimes, as residências das vítimas e os serviços de atendimento disponíveis.

Segundo Maria Arminda, além de aprofundar o conhecimento sobre o feminicídio, a pesquisa busca oferecer informações que ajudem órgãos públicos e instituições de direitos humanos a desenvolver estratégias mais eficientes de enfrentamento da violência contra as mulheres.

O Grupo de Trabalho reúne especialistas de diferentes áreas. A coordenação geral está a cargo de Maria Arminda, enquanto a coordenação acadêmica é formada pelas juízas Helena Campos Refosco, Maria Isabel Rebello Pinho Dias e Tatiane Moreira Lima.

Também participam do projeto juízas, promotoras de Justiça, profissionais da saúde, pesquisadoras universitárias e representantes do poder público. Entre as participantes estão integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a senadora Daniella Ribeiro, idealizadora do projeto Antes que Aconteça.

A criação do grupo foi proposta pelo presidente do COI e professor emérito da USP, Enrique Ricardo Lewandowski, em conjunto com Maria Arminda. Lewandowski teve atuação de destaque no Supremo Tribunal Federal (STF) e também no Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde participou de iniciativas voltadas à proteção das mulheres, como o fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e das Patrulhas Maria da Penha. Já Maria Arminda coordenou o Escritório USP Mulheres entre 2019 e 2022.

A expectativa é que os resultados da pesquisa contribuam para compreender melhor as causas do feminicídio e orientar ações mais eficazes para proteger mulheres e prevenir novos casos de violência.

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