Evento ocorre nos dias 31 de julho e 1° de Agosto e debate racismo algorítmico e regulamentação de IA com especialistas do Brasil, África do Sul e Etiópia
Escrito por: Marcos Santos
Retirado de: Jornal da USP
O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.
Com o objetivo de chamar a atenção para os impactos do racismo nas tecnologias digitais, o Aqualtune Lab, o Instituto Mancala, o Instituto Sumaúma e a Reafro vão realizar, nos dias 31 de julho e 1º de agosto, o I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O evento será o primeiro no Brasil, com participação internacional, dedicado a discutir a relação entre racismo e tecnologia.
A programação contará com palestras, mesas-redondas, oficinas e atividades culturais. Entre os convidados internacionais estão a sul-africana Onica Nonhlanhla Makwakwa e o etíope Yonas Gebremichael Difer, reconhecidos por suas pesquisas e atuação na área.
Segundo o professor Celso Eduardo Lins de Oliveira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP e um dos organizadores do congresso, as tecnologias digitais e a inteligência artificial estão cada vez mais presentes em áreas importantes da vida, como trabalho, saúde, segurança pública e acesso a serviços. Por isso, o objetivo do encontro é ampliar o debate sobre como essas ferramentas podem reproduzir desigualdades raciais e contribuir para a construção de políticas públicas mais justas.
De acordo com o pesquisador, muitas dessas tecnologias não representam adequadamente a diversidade da população brasileira. Isso pode gerar problemas em sistemas automatizados usados em processos seletivos de emprego, reconhecimento facial, serviços públicos e até em tecnologias voltadas para a saúde. Quando treinados com dados limitados ou enviesados, esses sistemas podem reproduzir discriminações já existentes na sociedade.
Para Celso, o Brasil precisa avançar na criação de regras que garantam mais transparência e responsabilidade no uso dessas tecnologias. Entre as medidas necessárias estão avaliações de impacto dos algoritmos, auditorias independentes e mecanismos que responsabilizem empresas e instituições quando sistemas automatizados causarem prejuízos ou discriminações. Ele destaca que decisões que afetam a vida das pessoas não podem ser atribuídas simplesmente à tecnologia, sem que haja responsáveis pelos resultados.
O professor afirma que o congresso pretende reunir pesquisadores, estudantes, profissionais da área de tecnologia, do Direito, gestores públicos e integrantes da sociedade civil para discutir como a inteligência artificial e as plataformas digitais influenciam a democracia, a cidadania e os direitos da população. A proposta é aproximar diferentes setores da sociedade na busca por soluções mais inclusivas e socialmente responsáveis.
As inscrições estão abertas até 20 de julho. Os valores variam entre R$ 100 para estudantes de graduação, R$ 300 para estudantes de pós-graduação e R$ 500 para profissionais. Também serão oferecidas isenções para pessoas autodeclaradas negras que atendam aos critérios definidos pela organização.
O congresso acontecerá na Faculdade de Saúde Pública da USP, localizada na Avenida Dr. Arnaldo, 715, no bairro Cerqueira César, em São Paulo. A realização é do Aqualtune Lab, Instituto Mancala, Instituto Sumaúma e Reafro, organizações que atuam em temas relacionados à igualdade racial, tecnologia, pesquisa e inclusão social.