Novo livro traz reflexões sobre os direitos humanos das mulheres

Produzida a partir da experiência da Clínica de Direitos Humanos das Mulheres, publicação está disponível para download gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP

Retirado de: Jornal da USP

O conteúdo apresentado abaixo foi retraduzido para facilitar a leitura e o entendimento.

O livro Direitos Humanos das Mulheres: Práticas, Pesquisas e Reflexões, lançado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, reúne experiências, pesquisas e ações desenvolvidas pela Clínica de Direitos Humanos das Mulheres da USP desde sua criação, em 2020. A obra está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.

Coordenado pela professora Gislene Aparecida dos Santos, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, o livro apresenta reflexões sobre os direitos das mulheres e o trabalho realizado pela Clínica em atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo a professora, as ações desenvolvidas buscam fortalecer o conhecimento sobre direitos humanos e contribuir para que mais mulheres se sintam preparadas para reivindicar direitos, enfrentar situações de violência e participar da construção de uma sociedade mais justa.

A Clínica de Direitos Humanos das Mulheres surgiu a partir de uma parceria entre o Grupo de Estudos e Pesquisas das Políticas Públicas para a Inclusão Social (GEPPIS), da EACH-USP, e o Laboratório de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP-USP), com apoio do grupo nPeriferias, do IEA.

De acordo com Juliana Fontana Moyse, autora de um dos capítulos da obra, a proposta do projeto sempre foi construir conhecimento de forma participativa, valorizando as experiências das mulheres em situação de vulnerabilidade social. Em vez de apenas transmitir informações, a iniciativa procurou criar espaços de troca, diálogo e aprendizado coletivo.

O livro reúne 14 capítulos que abordam diferentes temas relacionados aos direitos das mulheres. Entre eles estão as disputas por direitos em diferentes espaços da sociedade, os desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade e discussões sobre questões de gênero e justiça social.

Um dos projetos apresentados é o Haiti é Aqui, desenvolvido para compreender as dificuldades, necessidades e expectativas de mulheres haitianas que vivem no Jardim Keralux, bairro localizado na zona leste da cidade de São Paulo. A iniciativa buscou entender como essas mulheres enfrentam desafios relacionados à imigração, trabalho, acesso a direitos e inclusão social.

A publicação também traz uma entrevista com a professora Njoki Wane, pesquisadora reconhecida internacionalmente por seus estudos sobre raça, gênero e educação. A entrevista apresenta experiências desenvolvidas em um projeto que investigou como mulheres negras no Brasil e no Canadá constroem estratégias para enfrentar situações de discriminação racial e de gênero.

Além dos capítulos, o livro inclui quatro apêndices voltados principalmente ao público jovem. Os materiais abordam temas relacionados à menstruação, explicando aspectos biológicos, cuidados com a higiene, preconceitos ainda existentes e questões ligadas à inclusão social e às desigualdades enfrentadas por muitas meninas e mulheres.

A obra também apresenta um anexo dedicado ao debate sobre o aborto no Brasil. O texto discute aspectos jurídicos relacionados ao tema e analisa os impactos das restrições legais sobre mulheres, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade social e econômica.

Segundo Gislene Aparecida dos Santos, o projeto busca formar profissionais, pesquisadoras e pesquisadores comprometidos com a promoção da equidade, da solidariedade e do respeito aos direitos humanos. Para ela, iniciativas como a Clínica de Direitos Humanos das Mulheres contribuem para ampliar o debate sobre desigualdades e fortalecer a construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática.

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